A carvalheira

História da cachaça

A versão mais antiga da origem da cachaça é que ela teria sido descoberta por acaso, como subproduto da produção brasileira de açúcar mascavo e rapadura, no início do Século XVI. Durante o processo, o caldo de cana era fervido nos tachos, para ser limpo e concentrado em uma massa espessa, sendo retirada a espuma ou borra sobrenadante, através de grandes espumadeiras ou conchas perfuradas. Essa borra, acumulada em cochos de madeira, fermentava, transformando-se em uma "garapa azeda" ou “vinho de cana”, que era servida como complemento da alimentação dos animais e até dos escravos.
A essa espuma dava-se o nome de "cagaça"; daí se derivou, possivelmente, a palavra "cachaça". Outra versão para origem do nome é de que essa bebida era utilizada também para amolecer a carne de porco, chamado então de "cachaço". Supõe-se que a destilação desta "garapa azeda", em alambiques de barro, deu origem a nossa Cachaça.
Entretanto, segundo o historiador e folclorista Luiz da Câmara Cascudo (RN), a mais provável origem do termo “cachaça” tenha sido da palavra espanhola “cachaza” ou da própria “cachaça” portuguesa, que desde o século XV designava a bebida destilada da fermentação dos resíduos de uvas, conhecida como “bagaceira”


Há dúvidas quanto ao surgimento dos primeiros engenhos no Brasil, se em Olinda-PE ou em S.Vicente-SP, mas foi com certeza nas Capitanias Hereditárias de Pernambuco e de S.Vicente, as duas que deram certo, que se iniciou e se desenvolveu a produção do açúcar e da cachaça no Brasil, depois se espalhando a cultura da cana e a construção de engenhos em outras capitanias, como a da Bahia, de Ilhéus, da Paraíba do Sul (Rio de Janeiro) e, posteriormente, em Minas Gerais, no século XVII, com a corrida do ouro.

Segundo Varnhagem, F.A. (História Geral do Brasil - 3ª edição, vol. 1, pág. 124), Itamaracá, depois incorporada a Pernambuco, teria sido o primeiro local onde seria instalado um engenho primitivo e que exportaria açúcar para Lisboa, antes da implantação das capitanias hereditárias.

Os primeiros escravos chegados ao Brasil aderiram à bebida, que lhes era servida pelos Senhores de Engenho, para que agüentassem as duras jornadas de trabalho, como também para alegrar as suas festas e seus momentos de lazer.

Com o passar do tempo, as técnicas de produção foram aperfeiçoadas, passando a Cachaça a ser destilada em alambiques de cobre e a ser chamada de Aguardente de Cana; ganhou fama e passou a freqüentar tanto a Senzala como a Casa Grande e a ser apreciada também por visitantes ilustres e autoridades. Era então consumida em banquetes e festas populares e começou a ganhar fama na Europa e na África, sendo até usada como uma das principais moedas no pagamento do tráfego dos escravos para o Brasil, onde a cultura canavieira exigia cada vez mais mão-de-obra. A tal ponto que a Capitania de Pernambuco passou a ser o maior produtor de açúcar do mundo e as altas cotações do açúcar no mercado internacional, motivou a invasão holandesa, através da Companhia das Índias Ocidentais, em 1630. A ocupação holandesa em Pernambuco intensificou a produção de Cachaça e o seu uso como moeda na aquisição dos escravos africanos.

A Coroa Portuguesa, que não via com bons olhos a popularização da Cachaça, devido à concorrência com a "bagaceira" e seus próprios vinhos, proibiu várias vezes a sua produção, a comercialização e até o seu consumo no Brasil, criando diversas taxas severas sobre o destilado. E assim se fez, em 1756, com o subsídio voluntário para reconstruir Lisboa, abalada por um terremoto, e em 1773 uma nova taxação, desta vez para sustentar os professores régios, quando foi instituído o chamado subsídio literário.

As investidas da Metrópole contra a Cachaça, tornou-se um símbolo de resistência à dominação portuguesa para os revoltosos pernambucanos e inconfidentes mineiros e, até a independência, proclamada por D. Pedro I, brindar com a Cachaça significava lutar contra a opressão colonial.

Não foi por acaso que a Cachaça foi eleita pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso como a bebida oficial para brindar nas Comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. O Decreto Nº 4062, assinado pelo Presidente da República em 21 de dezembro de 2001, define as expressões "cachaça", "Brasil" e "cachaça do Brasil", como indicações geográficas, sendo o seu uso restrito aos produtores estabelecidos no País. Atualmente várias marcas de Cachaça de alta qualidade, em S.Paulo, Minas e no Nordeste, figuram nos mercados nacional e internacional e estão presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo.

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