| Credo do Cachaceiro
"Creio na cachaça boa
Que é pura, imaculada
Um alimento gostoso
Que engorda o camarada
E a qual foi concebida
No alambique e e vendida
Na bodega, engarrafada
Nasceu da puríssima cana
Sofre e foi maltratada
Sob o poder da moenda
E numa cuba derramada
Ali ela padeceu
Ao alambique desceu
Aonde foi sepultada
Na caldeira ela sofreu
E já no terceiro dia
Ressurgio do alambique
veio quente e ficou fria
Subiu ao céu da boca
E com ansiedade louca
Só bebo em grande quantia
Hoje ela vive na pipa
E há de vir alegrar
Os grandes e os pequenos
Na hora que for tomar
Creio que ela é famosa
Porque cachaça gostosa
É um pecado enjeitar
Creio no espírito dela
E na santa safra que vem
Na comunicação dos tragos
E dos pileques também
Na remissão das "bicadas"
Na confusão das "lapadas"
E na ressaca eterna, amém." |
Oração
do Pau D'Água
Santa Cana que se extrai da roça, purificado
seja o teu caldo. Aguardente sem mistura, venha
a nós o vosso líquido, a ser bebida
à nossa vontade, assim no boteco como em
qualquer lugar. Cinco litros por dia nos dai hoje,
perdoai o dia em que bebemos de menos assim como
perdoamos o mal que a "marvada" faz. Não
nos deixeis cair atordoados e livrai-nos da rádio-patrulha.
Amém. Hic! |
| Há
anos o camarada bebia todas as noites com o amigo
no bar. Ficavam até amanhecer o dia, enchendo
a cara e jogando conversa fora.
Um dia, o amigo teve que mudar-se para outra
cidade. Inconformado, o sujeito continuou a ir
toda noite no bar. Pedia sempre dois copos de
bebida e ficava até altas horas, falando
e gesticulando, como se o amigo estivesse realmente
ali.
Até que uma noite ele chega e diz:
- A partir de hoje, bota só um copo!
O dono do bar ironiza:
- O que foi? Seu amigo não vem mais?
- É claro que vem! Eu é que parei
de beber! |
Ritual do Bebum
1) Chegar ao balcão do botecão
e pedir uma;
2) Fazer cara feia ao receber o copo;
3) Jogar no chão um pouco para o Santo;
4) Limpar a garganta;
5) Fazer outra cara feia;
6) Derramar tudo de uma vez na goela;
7) Tornar a fazer careta;
8) Cuspir;
9) Pagar e mudar de bar. |
Os Dez Mandamentos
Primeiro: Bebê
Segundo: Pagá
Terceiro: Cuspi
Quarto: Saí
Quinto: Voltá
Sexto: Repiti
Sétimo: Caí
Oitavo: Drumi
Nono: Levantá
Décimo: Curá ressaca |
|
Hino da Cachaça
"Com a marvada pinga é que
eu me atrapaio
Eu entro na venda e já dou meu taio
Pego no copo e dali não saio.
Ali mesmo eu bebo, ali mesmo eu caio
Só pra carregá é que eu dou
trabalho, oi lá
A mulher me disse, ela me falô
Largue de bebê, peço por favô
Prosa de muié nunca dei valô
Bebo com sor quente pra esfriar no calô
E bebo de noite é pra fazê suadô,
oi lá
Cada veiz que eu caio, caio diferente
Meaço pra trais e caio pra frente
Caio devagar, caio de repente
Vou de currupio, vou diretamente
Mas sendo de pinga eu caio contente, oi lá
Eu bebo pinga porque gosto dela
Eu bebo da branca, bebo da amarela
Bebo no copo, bebo na tigela
E bebo temperada com cravo e canela
Seja quarqué tempo vai pinga na güela,
oi lá
Eu fui numa festa no rio tietê
Eu lá fui chegando no amanhecê
Já me deram pinga pra mim bebê
Já me deram pinga pra mim bebê
Tava sem fervê
Eu bebi demais e fiquei mamado
Eu caí no chão e fiquei deitado
E, só fui pra casa de braço dado
De braço dado com dois soldado
Muito obrigado" |
Padre Nosso do Cachaceiros
"Pai Nosso que estais no céu
Fazei a cana crescer
Com um inverno sadio
Pra ela amadurecer
Porque ela é saborosa
E dá cachaça gostosa
Pra todo mundo beber.
E santificai a cana Porque ela é excelente
Venha a nós um copo cheio Que bebo e fico
contente
Na cachaça me confio
Se estou quente fico frio
Se estou frio fico quente.
E seja feita avontade
De quem bebe todo o dia
Na terra como no céu
Da boca, só bebo fria
A cachaça é o pão nosso
Ter prazer nem alegria.
E perdoai os pecados
De quem gosta de aguardente
Fazei que o dono da venda
Perdoe a conta da gente
Quem vive só embriagado
Merece saer perdoado
Para beber novamente.
E não nos deixe cair
Embriagados, porém
Livrai-me de pagar tudo
E da ressaca também
Um pedido quero fazer
Durante enquanto eu viver
Não me falte a cachaça. Amém" |