The Legend of Sugar and Cachaça

It's said that Jesus Christ was walking on a road on a very strong sunny day and He was starving and thirsty. Them He saw a sugar cane plantation and decided to sit down under a shadow among leaves, cooling down, resting, sucking buds of sugar cane and finally, satisfying His hunger. When he was leaving, He blessed the sugar canes, promising that man would make a sweet nice food from them.

On the following day, at the same time, Devil himself left the fires of hell, with the burnt horns and tail. Riding along the road, He found the very same sugar cane plantation. But, this time, the sugar canes exploded in the air and the broth was sour, and burnt his throat. The Devil, furious, promised that from sugar cane man would make a drink as hot as hell boilers.

That is why from sugar cane we take off the sugar, blessing of our Lord, and cachaça, because of the devil.

A cachaça é minha prima,
o vinho é meu parente.
Não há festa nem festejo
que meus parentes não entre.

Vou mandar fazer um bicame
de madeira de canela,
pra passar toda cachaça
dos quintos pra minha goela.

No fim da minha vida
quero morrer de fartura
O quinto será meu caixão,
o alambique a sepultura.

(Dornas Filho, João. “A cachaça no folclore de Minas Gerais”. Estado de Minas. Belo Horizonte, 24 junho 1962, 2º Caderno, p.3-4)

A cachaça é moça branca
filha de homem trigueiro;
quem tomar amor por ela
não pode ajuntar dinheiro

Minha caninha verde
que veio de Montevidéu,
veio engarrafada
na capa do meu chapéu.

Vinho de cana é cachaça,
concha pequena é colher,
língua de velha é desgraça,
bicho danado é mulher.

(Dornas Filho, João. “A cachaça no folclore de Minas Gerais”. Estado de Minas. Belo Horizonte, 24 junho 1962, 2º Caderno, p.3-4)

Versos

"O povinho deste bairro
Não tem mais educação
Entra tudo na caiana
Fica tudo valentão."

"A cachaça é meu parente
O vinho meu primo-irmão
Não há nenhuma função
Que meus parenres não vão."

"Marinbondo dono do mato
Carrapato dono da Jóia
Todo mundo bebe cachaça
Negro de angola só leva fama."

"Minha mãe me deu um dote
Oh! Meu deus que prenda fina
Um copo e branca da boa
Namorando com as meninas."

"Bom Jesus da cana verde
A cana que vos abraça
Dá melaço e açúcar bruto
Dá garapa e dá cachaça."

"Queiram ou não queiram seus adversários, a cachaça é uma utilidade pública brasileira, dado histórico nacional (...)
Não lhe faço a apologia, de que não precisa.
Registro sua presença cultural,
seu fascínio sobre a mente do povo."

(Carlos Drumond de Andrade in Dicionário Folclórico da Cachaça de Mário Souto Maior)

Cachaça — Sou a cachaça e no mundo
Tenho grande estimação
Já não se fala no vinho
Só eu entro em função.

No batismo ou casamento
Todos trazem o seu vidrinho
Para levar para casa
O seu gostoso pinguinho.

Já tenho pena do vinho
Desse pobre desprezado,
Mas o povo tem razão
"Ele é tão preto, coitado".

Vinho — Sim, sou preto, isso é verdade
Porém esse é meu estado;
Assim manda a natureza
De quem sou grande enviado.

Sou vermelho e tenho um trono
Pela igreja alevantado,
Fica sabendo, cachaça,
De sangue de Deus sou formado.

Entro no cálix sagrado
Em mim se rende a Deus graça,
Sou fidalgo, não misturo
Ando sempre numa massa.

Fica sabendo, cachaça,
Sou fidalgo de boa lei
Não é qualquer que me prova
Eu sou bebida de rei.

Você é feita de pau
Eu de fruta de caroço;
Você é bebida de negro,
Eu sou bebida de moço.

Cachaça, você é gente
No batuque e na folia;
Eu nas bodas, nos banquetes
Mostro minha fidalguia.

Cachaça — Sou a cachaça e tu água
És mesmo bebida à toa
Andas no lodo do chão
Eu no amude da patroa.

Tu és uma porcaria
Que não dá nenhum prazer
Corres suja pelo chão
Pra qualquer bicho beber.

Saio branca do alambique
Batizada jeribita,
Vou direto pra cabeça
De toda mulher bonita.

Bichos não me bebem nunca
Não é isto novidade
Pois agora sou chamada
O elixir da humanidade.

Até o pobre endividado
Quando tem o seu vintém,
Fica alegre parecendo
Não dever nada a ninguém.

Água — Verdade é dona Cachaça
Eu pertenço a toda gente,
Bebe a água qualquer bicho,
Como bem nosso regente.

Mas, quando o chão fica seco
Fazem-se preces pra eu vir,
E para chover cachaça
Nunca vi ninguém pedir.

E ai de ti, dona Cachaça,
Se não caio pelo chão,
Era uma vez o alambique
Que perdia a sua ação.

Também nunca ouvi dizer
Aos garantidores da ordem
Que ninguém por beber água
Fizesse alguma desordem.

E tu, senhora Cachaça
Com seu cheiro nauseabundo
É a maior responsável
Pelas desgraças do mundo.

(Em Ribeiro, Joaquim. Folclore do açúcar. Rio de Janeiro, Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, 1977, p.214-216)

Lundu da cachaça
(Luís Heitor Correia de Azevedo)

Estrofe 1
Desprezo vosso conselho,
Pra deixar de beber
Quero cumprir minha sina,
Na chuva quero morrer.

Refrão
Se beber alegra a gente
Fumar nos dá prazer
Quem não fuma, quem não bebe
Que alegria pode ter?

Estrofe 2
No fundo de um alambique
Quero a minha sepultura,
Pois mesmo depois de morto
Quero me estar na fartura.

Refrão
Se beber alegra, etc.

Estrofe 3
Do funil quero a mortalha,
Da pipa faça o caixão;
Se não tiver na garrafa,
Mas, ponha um copo na mão.

Estrofe 4
A cachaça é moça branca,
Filha de homem trigueiro.
Quem toma amor à ela
Não pode ajuntar dinheiro.

Refrão

Se beber alegra, etc.

Estrofe 5
Mandei fazer uma ponte
De madeira, de canela,
Pra passar toda a cachaça
Da ponte pra minha goela.

Refrão
Se beber alegra, etc.

Estrofe 6
A minha cabeça inclina,
A minha cabeça derrama.
Dizem que todos bebes,
Eu sou é quem leva fama.

Refrão
Se beber alegra, etc.

Estrofe 7
A cachaça na garganta
Escorrega como o quiabo;
Quando chaga na cabeça
Faz arte do diabo...